07/11/2006 14:56
Ser anti-social
Não adianta. Carrego esse estigma mesmo. Chata, metida, se achante, anti-social, sociopata.
Com essa onda de orkut, tenho reencontrado alguns amigos, muitos dos quais não via há quase (ai meu Deus!) 30 anos!! É sério, amigos que estudaram comigo no primário (que alías, nem existe mais, pelo menos com esse nome).
Amigos do tempo que eu ia à escola com minha saia de pregas azul- marinho, blusa branca de botões, meia 3/4, sapatinho boneca e rabo de cavalo com fita de cetim branca. Que lindinha!!!...Pois é, digamos que hoje eu esteja ligeiramente diferente quanto ao aspecto físico.
E meus amigos daquela época, ao que tudo indica, também estão. Outro dia recebi um scrap de um tal José Carlos, dizendo "não lembra mais de mim, sua orgulhosa?". Fui xeretar no orkut dele (ô nominho infeliz pra esse treco) e estava lá uma cara de meia idade, meio barrigudo, com cara de mais ou menos feliz com sua família ("espousa", filhos, cachorro). Lembrar dele? Claro que não!
Nem mesmo lembrei que estudou comigo um menino que se chamava Zequinha, que usava calção de tergal azul marinho e as mesmas meias e camisas brancas, do qual eu morria de inveja porque tinha relógio de pulso e eu não. Foi preciso ele refrescar bem a minha memória, bem mesmo. Depois disso vem aquele papo...Puxa, quanto tempo!...Quantos filhos, quantos maridos?...Você está bem e você engordou, hein!...Tem visto fulano?...
E fica nisso, nem dá pra ser diferente. O que há para conversar com alguém que a gente perdeu de vista lá atrás, que não sabe das nossas andanças, nossos tropeços, nossos momentos de alegria. Enfim, alguém que trilhou outro caminho e agora está longe demais. Estranho seria se esse reencontro resultasse numa amizade instantânea, aquela que você acrescenta água fervente e fica pronta em 2 minutos.
Como, diante desses reencontros súbitos patrocinados pelo google eu costumo ser apenas espontânea e não forçar uma familiaridade que não existe mais, sou normalmente considerata chata, metida, anti-social, sociopara, se achante.
Até aí tudo bem, nenhuma novidade. Falar o quê,fazer o quê?...Menos é mais. Salve-me Osho, please.
A Tati Bernardi escreveu um texto sobre isso. Penso igualzinha a ela. Inteligente essa menina!...Beijos a todos.
Adios amigos
Tati Bernardi
O que você faz com as pessoas que não quer mais?
Dia desses me ligou uma grande amiga do primário. Cheia de cobranças pro meu lado, que eu era uma desnaturada, como assim não tinha atendido ao telefonema dela na madrugada do dia anterior?
Há vinte anos ela era uma ruivinha magra, doce e que sempre dividia comigo a Maria-Mole (como é que eu podia comer isso!) no recreio. Havia se tornado uma mulher alta demais, que falava alto demais, gesticulava demais, ligava tarde demais, insistia demais na nossa amizade e agora ainda era modelete-manequim-atriz-promoter-organizadora de eventos. Mais da metade dos organizadores de eventos são pessoas que um belo dia pensaram hmmm, deixa ver o que eu gosto de fazer
eu gosto de ir a festas! Boa, vou trabalhar com isso. Não dá, sinto muito, eu ainda gosto da ruivinha do recreio, mas onde ela foi parar?
Outra que não me deixa em paz é a Paulinha, Paulona na verdade, porque acabou engordando uns 20 arrobas depois do ginásio. Nós éramos grudadas e fazíamos tudo juntas. O primeiro beijo aconteceu na mesma época, a primeira recuperação de física, as primeiras noites em claro chorando por algum super incrível macho de 13 anos. A gente se adorava tanto que tomava banho juntas na casa de praia que ela tinha no Guarujá (era chiquérrimo ir pra Enseada, lembra?) e uma ensaboava a outra, juro que sem a menor maldade.
Hoje em dia me culpa por ter ficado gorda e eu não, acho que ela pensa que se eu fosse realmente uma amiga de verdade, a teria acompanhado até nisso! Ela me liga toda semana com insinuações do tipo claro que ele te ligou, você é magra, claro que você não me chamou, você achou que eu não ia caber no carro. Tentei ajudar, ter paciência, mas a verdade é que ela se transformou num ser insuportável e eu não quero mais ser amiga dela. O que fazer? Como posso simplesmente abandonar minha melhor amiga do ginásio?
No colegial eu tinha duas melhores amigas: a Márcia e a Joana. Apesar da escola ser boa, eu estudava em um bairro mais simples com pessoas mais simples, afinal: minha família é mais simples. Até aí, nenhum problema.
Mas como nessa vida a gente anda pra frente, me formei numa faculdade bacana, trabalhei em bons empregos, ganhei uma graninha, conheci gente que me ensinou o que é um bom restaurante, bom filme, bom livro, boa viagem, mudei de bairro, de carro, de cabelo, de roupas, de opinão.
Enquanto isso, a Márcia se casou com o homem mais ogro do planeta, ele não a deixa trabalhar e adora ver que ela depende dele até pra soltar um pum. Ela nunca ouviu falar no Woody Allen, não tem carta de motorista e acha que tudo é pecado. A Joanna continua no mesmo emprego desde os 17 anos, odeia o emprego, mas aprendeu com o seu pai que trabalhar não é pra ter prazer, é pra comprar comida, seu último namorado era o líder de uma banda de pagode e batia nela de vez em quando.
Aí eu me pergunto, que assunto eu vou ter com essas pessoas? Sempre que faço um esforço sobrenatural pra aparecer por segundos em algum evento comemorativo, é com olhares de traidora, ela se tornou um ser humano melhor que sou recebida. Não quero mais passar por isso, mas como ignorar amigas tão antigas?
A maioria dos meus amigos de hoje foram grandes amigos do passado, que cresceram comigo, sofreram comigo, melhoraram comigo. São pessoas que eu admiro muito e que, mesmo com seus defeitos, me acrescentam, me fazem bem pra alma. Mas o que fazer com os outros que ficaram pra trás e se perderam com o tempo? O que fazer com os íntimos que se tornaram estranhos?
Não há muito o que fazer, a não ser sentir saudades de quando tudo era simples como dividir uma Maria-Mole e ingênuo como dividir um sabonete. Tenho muitas saudades daquelas amigas, mas tenho mais ainda de mim, que julgava menos e era muito mais feliz.
enviada por Kapri
28/03/2006 13:26
Precisamos é mudar de povo!
Arnaldo Jabor
Acho que não merecemos um Congresso maravilhoso como esse.
Você são muito desconfiados. Eu também sou um homem sem fé. Como a gente não acredita que dois funcionários da Caixa Econômica passaram por acaso na agência de noite, e assim numa boa resolveram pegar o extrato do Francenildo, sem que chefe algum tenha mandado? Ninguém sabia de nada. Somos muito maldosos.
Vocês já desconfiaram que o Delúbio e Silvinho agiam com conivência do Planalto. Não acreditaram que o Lula não soubesse de nada? Gente, o Lula está muito acima dessas bobagens. O Lula ia lá se preocupar ou saber se R$ 3 bilhões estavam sendo desviados para mensalões e para o caixão dois do PT? Ora, vocês precisam ter mais confiança no governo.
E esses corruptos absolvidos? Quem disse que é pizza? Nada disso, é a celebração da liberdade, do perdão, em vez da triste cassação. Vejam as caras deles: João Magno, Walderval, Janene, Mentor são inocentes, caras puras. Só porque pegaram uns milhares de reais do valerioduto.. O que que tem? Nós somos gente maldosa, sem amor à vida!
Vejam a alegria da Ângela do PT isso é que é beleza, Brasil, terra da felicidade. Viram ela dançando? Espectadores cruéis, nós não prestamos! Acho que não merecemos um Congresso maravilhoso como esse. Precisamos é mudar de povo! Viva eles! Abaixo nós!
enviada por Kapri
16/03/2006 23:05
AQUILO QUE FALTA
E falta sempre uma coisa,
um copo, uma brisa, uma frase.
E a vida dói quanto mais se goza
E quanto mais se inventa.
Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)
Na minha infância, era comum minha mãe usar uma expressão ao me repreender. Ela sempre dizia: não inventa!. Assim mesmo, do jeito italianado que ela tem de falar. Não inventa servia para evitar qualquer problema futuro. Quando eu pensava em brincar de alguma coisa que certamente geraria uma bagunça infernal que eu não arrumaria depois, ela apelava: não inventa!. Quando eu pedia para convidar uns 2 ou 3 amigos para brincar em casa que, invariavelmente, se transformariam em 8, ela gritava: não inventa!. Quando eu imaginava que poderia construir uma casinha de bonecas com 2 salas, 3 quartos e uma cozinha com pia usando apenas uns pedaços de papel , tinta, tesoura e cola, ela esbravejava Não inventa!.
Mas eu inventava, dava um jeito de contornar a bronca porque meu desejo de mexer na realidade era grande demais. Por melhores que fossem meus brinquedos, por mais divertidos que fossem meus amigos, sempre faltava alguma coisa e aquilo que faltava, eu tinha que inventar. E fui crescendo assim, construindo cabanas de bambu e de mato nos terrenos baldios, levando ninhada de cachorrinhos recém-nascidos para criar em casa, escrevendo, desenhando, enfim inventando. E deixando minha mãe quase maluca.
Mais crescidinha, passei a inventar poemas, crônicas, músicas, coreografias. Meu desejo de criar não foi tolhido pelo não inventa da minha mãe, e com certeza ela não tinha mesmo essa intenção. Descobri o prazer de criar e vi que a criação era uma forma de interferir na realidade e uma tábua de salvação quando a realidade resolve nos pregar uma peça, e nos inventar alguma.
Nada de errado em criar, em ir atrás do que está faltando. Mas, talvez, essa minha natureza inventiva tenha se desviado dos caminhos da criatividade e tenha me levado a sempre prestar atenção àquilo que faltava e dar automaticamente o comando para ir em busca. E, como inventar o que falta é algo que faço desde sempre, muitas vezes preenchi os meus vazios com inventos para logo depois perceber que não eram reais. Se der um mergulho mais fundo vou chegar à conclusão que nem mesmo os vazios eram reais, pois nada estava faltando. Tudo estava perfeito e completo e eu deveria apenas ter me repreendido e dito a mim mesma: menina, não inventa!.
Acho que fomos condicionados a colocar nossa vida em eterna pendência, numa mistura confusa de desejo, esperança e insatisfação crônica. Nosso olhar se desvia do que temos de sobra e focaliza, em primeiro plano, aquilo que nos falta ou que pensamos que nos falta. Temos saúde e nosso corpo pulsa em equilíbrio, mas queremos experimentar prazeres extraordinários. Temos amor, mas desejamos os sobressaltos da paixão. Temos amigos com quem conversar, mas desejamos contatos com gente influente. Temos filhos lindos e saudáveis, mas queremos que sejam imbatíveis, que vençam qualquer competição.
E partimos em busca do que nos falta já que nos dói a falta que nos faz. E, como não encontramos (geralmente o que nos falta, falta ao mundo), simplesmente inventamos. Criamos objetos que satisfaçam nossos desejos. Brinquedinhos e inventos mirabolantes que nem sempre servem para alguma coisa além de alimentar nossa ilusão de que tudo está perfeito.
Dia seguinte, a brincadeira acaba e ainda sentimos falta. E sempre nos falta algo. Falta principalmente a capacidade de ver que já temos tudo. Falta a simplicidade de Álvaro de Campos para saber que a vida dói quanto mais se goza e quanto mais se inventa.
Não quero defender o conformismo e a desesperança, muito menos ver a vida como algo cheio de limitações que temos que aceitar para evitar o sofrimento. Mas hoje, passadas algumas buscas insanas e invenções desastrosas meu desejo mais profundo é o de viver em paz com aquilo que me falta, sabendo que nenhum lugar, pessoa ou objeto inventado pode ocupar o lugar vago, se é que este lugar realmente existe.
Não quero perder o brilho da menina que vivia inventando histórias, mas quero ter a certeza profunda de que aquilo que me faz falta, aquilo que realmente dói na alma como um vazio, eu não posso inventar e só posso encontrar dentro de mim.
enviada por Kapri
12/03/2006 16:59
::Guia Prático do Blog Intelectual ::
Se o seu blog anda meio desanimadinho??? você não agüenta mais escrever sempre os mesmos posts??? e pior... ninguém agüenta mais LER os mesmos posts??? ninguém mais coloca comentários, e quando coloca, é propaganda de provedor??? e sua conta de estatísticas foi fechada por inatividade???
Chegou a solução: As 7 Atitudes de um Blog Intelectual. O guia do blogueiro que não tem nada a dizer.
Com apenas um capítulo por dia de aprendizado, ao final de uma semana você terá um blog repleto de conteúdo e informação!!! Este é o único guia prático de blogs intelectuais aprovado pelo Paulo Coelho. Imperdível!
1 - Nome Do Blog:
O nome do blog intelectual deve ter pelo menos 17 sentidos diferentes. Algo eternamente belo para apaixonados, incrivelmente sensível para suicidas ou exatamente aquilo que os práticos sempre pensaram. Para cada pessoa uma interpretação. Sempre incompleta, é claro. Caso você não seja capaz dessa proeza lingüística, pense uma palavra qualquer e traduza para o alemão. Pronto! Você já tem o nome do seu blog intelectual.
2 - Layout do Blog:
Não use imagens. Não use cores. O fundo deve ser branco com fonte times new roman preta. Use no máximo fontes em negrito nos títulos, ou se você for muito ousado, underline. Quanto mais seu blog ficar parecido com um editorial financeiro do New York Times melhor. Qualquer artifício visual pode desviar o leitor do verdadeiro foco do seu blog.
3 - Perfil do Blogueiro:
Existem várias alternativas para adotar e tornar-se um verdadeiro blogueiro intelectual:
1) Seja depressivo. Veja sempre o lado ruim das coisas. Sempre que possível, deixe bem claro o quão solitário é... mostre ao mundo quanto toda essa medíocridade a sua volta o deprime. Uma boa dica para o blogueiro intelectual deprimido é passar alguns períodos sem postar nenhuma mensagem... isso gera certa apreensão mórbida no seu público leitor.
2) Seja neurótico. Ser neurótico é chique. Pessoas não neuróticas tendem a ser obesas, lentas e passivas. Já os neuróticos reagem com maior intesidade às adversidades. Mesmo que não sejam exatamente adversidades. Para mostrar-se um blogueiro intelectual neurótico fervoroso, deixe bem claro o quanto as pequenas coisas o irritam. O trânsito... os flanelinhas... os idosos que não pagam ônibus... os atendentes do Mac Donalds...
3) Seja crítico. Sim... critique tudo! Desde o processo de globalização até a peça de teatro infantil da filha da enteada da sua vizinha. Para poder posicionar-se perfeitamente como um blogueiro intelectual crítico de primeira é importante saber que existem dois tipos básicos de intelectuais... os que criam... e os que criticam. Caso você não se encaixe no primeiro caso. Não vacile. Caia de cabeça no segundo.
4) Seja sensível. Não adianta ser um intelectual sem coração. Mostre que você tem sentimentos. Você é um ser humano... você pensa... e justamente por pensar... você chora. Chora pelos corais do Pacífico. Chora pelo o que a sociedade tornou o Fernandinho Beira Mar. Chora pelo amor não correspondido à Lara Flynn Boyle. Chore apenas por coisas irreparáveis, caso contrário sua sensibilidade terá sido em vão.
5) Dicas gerais de postura intelectual:
- Nunca poste mensagens antes da 1:00AM.
- Sempre que possível, poste o maior número de mensagens entre sexta-feira a noite e domingo de manhã.
- De tempos em tempos escreva algo que nem você entenda, por exemplo: "A massa do eu é um todo complexo e coeso". Mostra que você é uma pessoa complexa... cheia de pensamentos multifacetados.
- Fale palavrões. Depois de um longo texto sobre intolerância religiosa, por exemplo, termine com um 'foda-se'. Dá muito mais força aos seus argumentos. Mostra convicção.
4 - Títulos dos Posts:
Jamais... entenda bem... JAMAIS coloque um título de post com menos de 9 palavras, sendo que destas, 3 devem ser quadrissílabas. É imperativo que contenha pelo menos um nome próprio, de preferência composto. Nomes estrangeiros são muito bem recebidos.
Alguns títulos de post bem sucedidos:
"A verdadeira psicodinâmica das cores complementares segundo as variantes trinomiais de Ludwig Van Helsing"
"Uma breve análise do parnasianismo espanhol sob o prisma do pré-modernismo da Tchecoslováquia pós-guerra"
5 - Conteúdo:
O conteúdo é o item mais importante para que seu blog seja comentando nos altos círculos literários. Geralmente, você pode falar o que bem entender, pois o blog é seu e os visitantes são conseqüência. Porém existem alguns assuntos de interesse geral, que bem explorados, podem prender a atenção de seus leitores por mais de 20 linhas:
Cinema: É um ótimo tema potencial para blogs intelectuais.
O primeiro passo é deixar bem claro aos seus leitores que você assiste a um filme exatamente como um cardiologista assiste a um cateterismo. Isso feito, escolha um repertório de filmes não-americanos jamais vistos fora dos circuitos alternativos de cinema. Quanto mais distante geograficamente for o país de origem do filme em questão, melhor a crítica. Filmes iranianos ou chineses são uma ótima pedida. Faça sempre que possível referências ao DOGMA, exaltando-o como movimento expressivo do cinema mundial.
Se você preferir falar do mundano cinema americano, faça comentários do tipo: "A edição de Titanic é maravilhosa" ou "A direção de arte de Matrix deixa um pouco a desejar".
Notícias: É importante que seu blog tenha dinamismo, e acima de tudo, mostre que você é uma pessoa atualizada nos mais diversos assuntos. Você pode facilmente agregar várias informações valiosas às notícias do dia-a-dia. Por exemplo, ao dar o resultado de um jogo Corinthians 3 x Palmeiras 1, você não precisa falar apenas do desempenho dos centro-avantes, mas pode elaborar uma grandiosa dissertação sobre o futebol como ferramenta de alienação do povo.
Poesia: Definitivamente, um blog intelectual sem poesia não é um blog intelectual. Infelizmente, poesia não é para qualquer um... mesmo intelectuais. Caso você não consiga fazer mais do que versos de 'coração', 'paixão' e 'violão', existe uma solução simples e prática para tornar-se um poeta efetivo. 1) Pegue um dicionário da língua portuguesa. 2) Sorteie uma página aleatóriamente. 3) Feche os olhos e com a ponta do dedo indicador escolha uma palavra qualquer. 4) Anote-a... repita esse processo quantas vezes achar necessário e ao final, coloque-as todas no seu blog separadas por reticências. O resultado ficará parecido com:
familiar... mandato...
propalar... colocíntede...
punibilidade... trituramento...
infieldade... surto...
alcaboz... áspide...
defendente... oreógrafo...
Não se preocupe em encontrar algum significado. Seus leitores com certeza encontrarão.
4) Serviços: para aumentar a audiência do seu blog, você pode prestar alguns serviços ao seu público cativo. Um ótimo exemplo de serviço é um calendário de eventos culturais. Além de passar valiosas dicas de lazer aos seus leitores, você mostra que está a par do cenário cultural de sua região. Exemplo:
"Galera! Hoje a noite vai ter o show solo Terra, Raízes e Sentimento do percussionista Duca Mirandinha. Vai ser demais! Quero ver todo mundo lá, hein?"
6 - Links para blogs amigos:
Depois que notarem a riqueza intelectual do seu blog, centenas de amigos irão pedir que coloque um link para seus sites. NEGUE! Caso contrário você terá uma infinidade de blogs inúteis ligados ao seu, cheios de bobagens como receitas de muquecas de camarão ou resultados parciais do Brasileirão. Considerando que intelectual não necessariamente é mal educado, seja polido e diga aos seus amigos que existe um incompatibilidade editorial (tm Jodie) entre os blogs, impossibilitando assim a troca de links. Caso você queira expandir os horizontes do seu blog, coloque links para sites de outros intelectuais tão ilustres quanto você, por exemplo, Stephen Hawkins, Thomas H. Davenport ou Paul Kogan.
7 - Comentários:
Este é um erro muito comum entre os blogs intelectuais. De nada adianta você fazer um post de trezentas linhas fazendo parelelos entre 11 de setembro e o surrealismo francês e ter sua lista de comentários cheia de pérolas como: "AEEE MANU!!! MANDO BEM!!!! VC RLZ AS TRETA !!!!" ou "Oi Má !!! É a Cá !!! Muito fofo esse seu blog, viu??? Te vejo no shopping !!! Bjos MIL !!!!". Somente um comentário desses e sua vida de blogueiro intelectual está seriamente comprometida.
Publicado em "Blog Samambaias"
enviada por Kapri
11/03/2006 00:32
Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves desde longe, e minha voz não te alcança.
Parece que teus olhos tivessem voado
e parece que um beijo te cerrasse a boca.
Como todas as coisas estão cheias de minha alma
emerges tu das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, és como minha alma
e te pareces à palavra melancolia.
Pablo Neruda
de Veinte poemas de amor y una cancion desesperada
enviada por Kapri
22/12/2005 23:16
COMO ESCREVER BEM
Dicas para uma boa redação, para seu blog, emails, e escritas em geral:
1. Desnecessário faz-se empregar estilo de escrita demasiadamente rebuscado, conforme deve ser do conhecimento de V. Sa. Outrossim, tal prática advém de esmero excessivo que beira o exibicionismo narcisístico.
2. Evite abrev., etc.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. "não esqueça das maiúsculas", como já dizia carlos machado, meu professor lá no colégio santa efigênia, em salvador, bahia.
5. Fuja dos lugares-comuns como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out, palavras de origem portuguesa estão in.
8. Seja seletivo ao usar palavras de gíria, bicho, mesmo que sejam maneiras. Sacou, mané?
9. Palavras de baixo calão podem transformar seu texto num coco.
10. Nunca generalize: generalizar sempre é um erro.
11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar repetitiva. A repetição vai fazer com que a palavra seja repetida.
12. Não abuse dos citações como costuma dizer meu pai: "Quem cita os outros não tem idéias próprias".
13. Frases incompletas podem causar.
14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes, isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez. Em outras palavras, não fique repetindo a mesma idéia.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas um palavra? Corta!
17. A voz passiva deve ser evitada.
18. Use a pontuação corretamente o ponto e a vírgula especialmente será que ninguém sabe mais usar o sinal de interrogação
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Nunca use siglas desconhecidas, conforme recomenda a A.G.O.P.
21. Exagerar é 100 bilhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises, evitá-las-ei"
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
24. Não abuse das exclamações! Seu texto fica horrível!!! Sério!
25. Evite frases exageradamente longas, por dificultarem a compreensão da idéia contida nelas, e, concomitantemente, por conterem mais de uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçando, desta forma, o pobre leitor a separá-la em seus componentes diversos, de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
26. Cuidado com a orthographia para não estrupar a língua.
27. Seja incisivo e coerente. Ou talvez seja melhor não...
28."Evite estar usando gerundismos, tente estar usando os tempos verbais existentes no português"
Retirado de: www.tudoparablogs.com
enviada por Kapri
01/04/2005 09:35
"Para ser Grande,
sê inteiro:
nada teu exagera
ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago
a lua toda Brilha,
porque alta vive."
Fernando Pessoa
enviada por Kapri
29/03/2005 14:10
COISAS PROFUNDAS 2005 O RETORNO
Parece mentira estar escrevendo aqui novamente! Passei um bom tempo out-punk-down-off-over e não havia como aquietar a mente para escrever, até porque ficou difícil transformar em palavras todo aquele turbilhão de sentimentos.
Agora estou ressurgindo do meu eu profundo e dos outros eus e parece que as palavras já podem pingar mais leves, limpas...quem sabe até elas consigam a proeza de fazer algum sentido.
O rio que estava fluindo tranqüilo transformou-se subitamente num mar agitado e revolto mas agora já volto a remar meu barquinho, diferente e melhor que antes e com algo importante a acrescentar literalmente.
O inesperado surgiu para me mostrar que não se pode ter controle sobre tudo e que aceitar aquilo que foge ao previsto e ao controlável é um dom, que no meu caso, ainda estava por desenvolver-se.
Lembrei daquele refrão do nosso Ministro da Cultura: Tempo rei, oh tempo rei, oh tempo rei....transformai as velhas formas do viver...ensinai, oh pai, o que eu ainda não sei....mãe senhora do perpétuo, socorrei...
Está sendo doce acordar todos os dias com a certeza que o tempo age sobre a vida que se transforma a todo instante, seja imperceptível e lentamente, seja de súbito. Como um vento suave que vai lentamente transformando a paisagem ou um furacão que abre espaço para a construção do novo. Estou feliz que isso seja maior que nossa limitada consciência, estou feliz que isso fuja totalmente ao meu controle...
Que o novo venha todos os dias, para todos nós! E que seja ele como for...
enviada por Kapri
22/09/2004 12:31
O que faz bem para a saúde?
Cada semana, uma novidade.
A última foi que pizza previne câncer do esôfago.
Acho a maior graça!
Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas peraí, não exagere...
Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.
Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.
Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz eu me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois eu rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas, me incham o cérebro, volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
Essa história de que sexo faz bem pra pele acho que é conversa, mas mal tenho certeza de que não faz, então, pode-se abusar.
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo faz muito bem: você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde.
E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda.
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca.
Beijar é melhor do que fumar.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Tomo pouca água, bebo mais que um cálice de vinho por dia, faz dois meses que não piso na academia, mas tenho dormido bem, trabalhado bastante, encontrado meus amigos, ido ao cinema e confiado que tudo isso pode me levar a uma idade avançada.
Sonhar é melhor do que nada...
Luís Fernando Veríssimo
>
enviada por Kapri
20/09/2004 17:40

enviada por Kapri
18/09/2004 00:16
"PALAVRAS, APENAS...PALAVRAS, PEQUENAS... ,
PALAVRAS, AO VENTO..."
Ultimamente tenho recebido e-mails, quase que diariamente, de uma pessoa que não conheço e que também não me conhece. Interessante é que não respondo a nenhum e mesmo assim ele continua escrevendo, descrevendo seu dia, me contando coisas engraçadas como por exemplo o que tem feito para se livrar de um short horrível com estampa de lua e estrelas que ganhou de uma amiga e que, de tão horrível, tem vergonha até de dar para alguém.
Fala de seus sonhos, compartilha banalidades, conta coisas da sua infância, do que espera da vida, do amor, das pessoas... e sempre termina me desejando um excelente dia, um ótimo fim de semana, que eu aproveite bem o feriado... Carinho puro, palavras inocentes, sentimento apenas, sem pretensão aparente.
Impossível ficar impassível. Ter alguém ali derramando doçura sem cobrar nada em troca é algo que, no mínimo, surpreende. Quando leio o que ele escreve penso em outros correspondentes internéticos que já tive. Aqueles do tempo em que eu ainda respondia aos e-mails. Se recebia algo que me parecesse uma provocação, respondia com meu sarcasmo, minha ironia nada inocente. Se o outro lado gastava alguns minutos filosofando sobre qualquer questão, banal que fosse, lá ia eu, sempre me achando mais esperta, dizer tudo o que já li , ouvi ou simplesmente senti sobre a questão até esgotá-la, reservando pra mim, sempre, a última palavra. Gastava meu verbo, empregava toda minha lógica, oferecia a profundidade dos meus sentimentos, muitas vezes de forma perigosa àqueles que se submetiam a entrar no jogo.
E era um mar de ilusões, palavras e mais palavras...meras palavras. Deixei-me iludir tantas vezes e iludi outras tantas...
Hoje apenas leio, deixei de fazer eco, parei de me mostrar através daquilo que escrevo. Como diz a Adélia Prado, escrever o que sente é uma forma de carregar bandeira, fardo muito pesado para uma mulher, essa espécie ainda envergonhada. Escrever, no meu caso, era também escancarar a alma e deixá-la descoberta, desnuda, para ser acolhida e cuidada, ou simplesmente massacrada. Não poucas vezes sobrou-me a sensação de ter-me exposto demais e a alma ficou ali, abandonada.
Sempre soube das minhas habilidades manipulatórias quando a arma é a palavra. Tenho realmente algum talento para isso. Usei mal esse talento, algumas vezes... mas nem sempre. Também levei alegria, proporcionei alguma reflexão, transmiti bons sentimentos. Mas, enfim, hoje procuro me preservar justamente porque reconheço que a palavra é uma arma. Estou numa fase contemplativa, reflexiva, quase zen. Defender o que penso me cansa e sempre concluo que é inútil. Absorvi totalmente o conceito da não resistência e deixo que as coisas fluam, naturalmente...sou um rio e estou fluindo...nenhuma palavra pode explicar isso, nem é necessário que alguém compreenda.
Obrigada ao meu amigo secreto. Seus e-mails são doces presentes que alegram meus dias. E entenda meu silêncio apenas como um sorriso de agradecimento vindo de alguém que já deixou de tentar entender ou explicar aquilo que palavra nenhuma entende ou explica.
enviada por Kapri
10/08/2004 23:10
AMOR DE GATO
Minha gatinha Hermione é uma gata adolescente. Com dois anos ainda tem comportamento de filhote. Quando não está dormindo aconchegada em algum canto quentinho (de preferência entre os cobertores, em cima de quem dorme embaixo deles) está carregando uma fita vermelha na boca e miando com cara de abandonada esperando que a gente pare o que está fazendo para balançar a fitinha de lá pra cá - e ela pular de lá pra cá tentando pegá-la.
Adora brincar de esconder, mesmo deixando o rabo comprido totalmente à mostra. Embarcamos na brincadeira só para não decepcioná-la e fingimos que não sabemos onde ela está. Quando quer uma brincadeira, digamos, mais radical, corre feito doida pela casa, escorregando e batendo a cabeça nos móveis, dando dois pequenos toquinhos com a pata em nossas pernas pra avisar que está querendo chamar a atenção.
Aliás, chamar a atenção é tudo o que ela quer. Vaidosa, adora mostrar que é fofa e linda. Se espreguiça em nossa frente deixando a barriguinha exposta para um carinho, que se não for feito rapidamente é cobrado com alguns miados chorões. Quando passo minhas horas lendo deitada em algum canto ela trata logo de deitar em cima de minha leitura, ou colocar-se entre mim e a tv caso eu esteja prestando atenção em algum programa.
Às vezes, em minhas horas tristes, tenho vontade de sumir e coloco a cabeça embaixo dos cobertores, tentando ficar ausente do mundo. Ela, que é sensível a qualquer movimento mesmo aqueles do coração faz de tudo para entrar no meu mundo escuro e quando consegue se aconchega próximo ao coração, ronronando suavemente, mostrando que não estou sozinha.
Também tenho raiva dela, como é comum em qualquer relacionamento. Já falei que espalhar a areia onde ela faz suas necessidades diárias não é muito educado, porque, apesar de inteligente, ela ainda não aprendeu a usar a vassoura. Quando preciso dar-lhe um banho deveria usar armadura, porque ela arranha, grita e se agita como se fôssemos matá-la e depois nos olha como se dissesse: traidora, confiei em você e é isso o que recebo?. Me dá raiva, mas a raiva dela deve ser maior. Acabo perdoando. E ela também.
É uma relação de amor verdadeiro, pois o que poderia ser falso entre um animal e um ser humano?...Quem perderia seu tempo em simular amor a um gato ou um cachorro?...E que gato ou cachorro seria capaz da esperteza tão sutil da falsidade? É um amor totalmente livre, onde dar e receber carinho é algo natural, espontâneo, livre de obrigações.
Basta um pouco de ração por dia e o bichinho está pronto para emprestar seu calor, sua amizade, sua energia de criança brincalhona. É uma troca verdadeira, como poucas que encontramos na vida.
Quem não tem um animal querido em casa não entende o que estou dizendo e comumente critica nossa dedicação a um simples bicho, um ser inferior. E mesmo gostando de animais também critico quem se ocupa mais da relação com os animais do que da relação com as pessoas que o cercam.
Critico, mas compreendo. Porque é imensamente mais fácil amar um animal do que uma pessoa. O animal é simples, exige pouco e nos dá muito, incondicionalmente. E as pessoas perdem tempo com sua matemática doida onde dar e receber faz parte de um cálculo que precisa, necessariamente, resultar exato.
E nunca é exato. Sobram restos, sobe um, desce dois e fica sempre a sensação de que erramos na conta, pulamos fatores, não conseguimos descobrir o valor do x. Com toda a nossa suposta inteligência não conseguimos nem mesmo identificar o problema, que dirá solucioná-lo. Amar alguém tão complexo como nós é entrar num jogo de espelhos, perdoar o que há de pior em nós mesmos que identificamos no outro, comprar uma briga e tentar sair com poucos ferimentos. É um risco. É uma aventura. É um desafio.
Difícil. Mais fácil amar um gato, uma galinha, um peixe-boi. Sim, amar um bicho é imensamente mais fácil.
O pior de tudo é que fomos dotados da necessidade de conviver com o nosso semelhante e dessa irritante capacidade de pensar. Coisa da qual os animais estão livres. Por isso correm soltos, livres, felizes...jogam-se na relva, pulam e abanam o rabo. Que inveja!
Aprender a amar é difícil, doloroso, exaustivo, mas parece que é o único caminho possível, é só o que temos. Talvez valha o esforço. Talvez seja melhor aceitar o desafio.
Vou aprendendo a amar amando minha gatinha, já que percebi que nessas questões, quanto mais simples eu tentar ser, melhor o resultado. E depois tento exercitar a simplicidade desse sentimento com as pessoas. Não tem dado muito certo, eu confesso, tenho tido mais tropeços que acertos, mas vou tentando. E pra quem não gosta de animais já vou dizendo: você não sabe a oportunidade de aprender que está perdendo por causa dessa sua alergia, mania de limpeza, intransigência, falta de humor. Se você fosse menos humano e mais bicho, seria um ser humano melhor.
enviada por Kapri
05/07/2004 17:21
PROVOCAÇÕES
Sempre que posso assisto ao "Provocações". Aquele programa do Abujamra que passa aos domingos na cultura. Gosto muito. Surpreendente e, embora seja redundância, provocativo.
Fico ansiosa pelo texto do final e pela interpretação. Acho o Abujamra um lixo fazendo novela mas fantástico no teatro. Ele é um ator que não cabe na Globo. Mas o programa é show. A câmera que mostra as mãos, os gestos e deixa o entrevistado quase nu. E a reverência à palavra. Acho que a palavra sempre merece esse cuidado.
Ontem ouvi o texto do final e, mesmo não conhecendo já sabia que era do Pessoa. Interessante isso. Tantos anos tentando decifrar aquela alma desassossegada junto com a minha , que sinto que se aquilo não é meu, só pode ser dele. Pretenciosa né?...Pois é.
Lá vai o texto do programa de ontem:
Poemas Inconjuntos
Fernando Pessoa
Tu, místico, vês uma significação em todas as coisas.
Para ti, tudo tem um sentido velado.
Há uma coisa oculta em cada coisa que vês.
O que vês, vê-lo sempre, para veres outra coisa.
Para mim, graças a ter olhos só para ver, vejo ausência de significação em todas as coisas.
Vejo-o e amo-me, porque ser uma coisa não é significar nada.
Ser uma coisa é não ser suscetível de interpretação.
A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é.
É difícil explicar o quanto isso me alegra.
E o quanto isso me basta.
Sobre o(a) autor(a):
Fernando Pessoa (1888 - 1935) nasceu em Lisboa.
Considerado um dos mais importantes poetas modernistas.
Criou heterônimos famosos como Alberto Caieiro, Ricardo Reis e Álvaro Campos.
PS da Kapri: Se quiser ouvir a interpretação do Abujamra, acesse
http://www.tvcultura.com.br/provoca/
enviada por Kapri
30/06/2004 13:26
INSPIRAR UM POEMA
Digam o que quiser, ser a musa inspiradora de um poema é tudo de bom. Pode ser melado, piegas, de gosto duvidoso, incompreensível, não importa. Saber que alguém empunhou a pena e brincou com as palavras pensando em você é ótimo e me arranca sorrisos.
Aconteceu hoje, mesmo sendo dia de pagamento, cheque especial estourado e com pendências do mês anterior que vão fazer meu salário acabar em 3 dias, transformando os outros 27 num mistério inexplicável para os economistas.
O autor do poema?...Não conheço e provavelmente não conhecerei (encerrei definitivamente minha carreira de interneteira buscando fazer amigos e influenciar pessoas) e nem sei como pôde captar as sutilezas de meu ser em tão exíguo contato virtual, contato, diga-se de passagem, totalmente unilateral (do lado dele). :-)))
Mas um poema é sempre um poema. Se for pra mim então...fico metida a besta!
Como já dizia Mário Quintana, "quem faz um poema salva um afogado".
Lá vai:
Boa noite,
Musa virtual, você inspirou este, que lhe dedico, com o afeto de um admirador distante, de um romântico impressionável, que ainda dedica poemas às mulheres que o encantam.
OLHAR FEITICEIRO
Olhos mistério, feitiço, sedução,
Etérea energia resplandece
Na fonte onde quero mergulhar,
Em busca do tesouro que aquece,
Ternura no coração, corpo e alma,
Humildade para poder amar.
A magia no teu olhar se espraia,
Encanto, vibração na minha mente,
Agita cinzas e nas brasas, chamas,
Enquanto o corpo medroso ensaia
Fugir das ansiedades que pressente,
Ao lembrar das sensações do passado.
As boas horas, as loucas desoras...
O turbilhão gira no pensamento,
Aonde a nova imagem canta e dança,
Qual luz das estrelas, encantamento,
Sonho de inverno, sutil esperança,
Copo de cristal, pronto a ser quebrado.
Talvez penses que esta sensatez
Me deixe ancorado, qual barco no porto,
Ferrugem no casco, na boca, nas mãos.
Mas o deus Apolo assim não me fez,
Pois ao ver o mar desse teu olhar,
Arde o vapor, antes que seja tarde.
Antonio Carlos
PS da Kapri: Antonio Carlos, quando escrevi lá em cima que o poema poderia ser piegas, de gosto dividoso, incompreensível estava querendo dizer algo assim "à nível" de generalizaçao em geral. O seu poema é ótimo. É o melhor poema que você já escreveu, embora eu só conheça esse. :-))
Tks!!
enviada por Kapri
21/06/2004 22:38
Todo dia te vejo, postado frente à minha janela
Com teu vício de sofrer que tanto me comove.
Prostrado, com o mundo aos ombros,
defronte à minha janela.
Tua imagem me penaliza,
pesa, como um paralelepípedo.
Gesto meu, de pura nobreza,
estendo a mão, envio palavras,
aquelas, que salvam um afogado.
Bem ali, à minha janela,
nem sempre és tu que me fitas,
outros olhos, outras bocas, outro sofrer.
Mas sempre assim, o mesmo e igual:
É sempre a ti que procuro,
todo dia, à minha janela.
E estás lá:
mudo, sozinho e com medo.
E tu sempre me atiras pedras.
enviada por Kapri
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